segunda-feira, abril 27, 2009

Não sei porque eu ainda me importo, é pura tolice, mas eu me importo, não quero teus cabelos tocando o rosto de ninguém, muito menos alguém descobrindo que os teus mamilos são um ponto fraco, que basta um toque logo abaixo da nuca pra você se arrepiar, porque que é só a barba do meu queixo que deveria tocar ali, mais nenhuma barba de nenhum outro queixo. Tolices de gente grande, são desse tipo que eu tenho. Agora vem deitar. Sou, sou um tremendo de um tolo.

segunda-feira, abril 20, 2009

Tem horas que odeio a Clarice, toda vez que penso em mandar os dois embora pra me deixar trabalhar, lembro que ela botava a máquina de escrever no colo pra pode ficar na sala com os filhos. Nem um dos dois é meu, mas eles insistem em ficar aqui, as poucas palavras que falam são sobre a fascinação com a quantidade de coisas em meu quarto, especialmente de livros, prometi que podem tocá-los, contanto que possam lê-los, condição única e bastante aprazível pra mim, enquanto isso eles "escrevem" de forma furiosa, estrangando papel e as poucas canetas que eu tenho, enquanto eu tento trabalhar.

quinta-feira, abril 16, 2009

Dia cinza, como todos aqueles sem você, fiquei pensando nisso enquanto o avião subia, se ele caísse, ficaria até agradecido. Inventei todas as coisas que poderíamos ter feito, revi todas as escolhas e mudei várias muitas vezes, em todas as possibilidades você ficava comigo, só precisava mudar algumas coisas, alguns diálogos, tudo pra ter um pouco mais de tempo. Memória nós mesmo que criamos, refiz todas as nossas, relembrei tudo pra poder mudar tudo, um verdadeiro trabalho do cão. Senti aquela pressão forte no corpo, como se algo puxasse os órgãos pra baixo, muito justo já que eles e o resto do corpo deveriam estar no chão, e ali estava eu desafiando uma das poucas coisas realmente sagradas nesse mundo, as leis da física . Me veio à cabeça mais uma vez "Bem que esse avião podia cair".

segunda-feira, abril 13, 2009

Eu queria um amor de domingo (não, não aos domingos), um daqueles que se aprecia de bermuda e chinelos, apenas porque é um dia de bermuda e chinelos, um que se descobre em coisas que em qualquer outro dia seriam insignificantes, como um ida ao supermecado, na hora que vocês está em dúvida sobre as frutas ou os legumes, ou vendo televisão, quando por um instante você é resgatado da distração pelo simples ímpeto de dar um beijo na testa, curto, mas longo o suficiente pra sentir um pouco do cabelo roçar a pele e o cheiro do xampu invadir as narinas e pra ninguém mais querer assistir tv.

terça-feira, março 24, 2009

Sinto que ando radioativo, porque ninguém fica por perto, mesmo tendo certeza de que a minha higiene pessoal está em boas condições. É algo inexplicável, parece que que tem uma folha colada nas minhas costas, pior um post it bem na testa escrito: babaca. Quem sabe ele é hich tech e fica mudando a mensagem, expondo todos os meus defeitos, e todo mundo que passa olha diretamente pra ele, por isso passam pelo lado, algumas devem até atravessar a rua, eu que nem percebo. É uma vida meio videoclipe, mas sem a trilha fantástica, só uma baita seqüência de recortes em que eu me dou mal...

segunda-feira, março 23, 2009

O que eu lembro melhor é do teu cheiro, faz tempo que não conto com a visão para muita coisa, então guardo detalhes. De você eu guardei o cheiro, principalmente ao acordar, bem próximo da nuca, antes, mas bem próximo aos cabelos, era dali que o cheiro se espalhava. Outro pedaço que "guardo" são os dedos, finos, na mão lisa de quem nunca precisou fazer trabalho algum. Esperei que você fizesses todas as coisas que precisava, para depois voltar...

sábado, março 21, 2009

Nunca mais escrevi, me perguntava por quê? Aos 26 não se perde a criatividade, nem aos 30, nem aos 80. Contudo, duas coisas aconteceram que, pelo menos em parte, podem responder. Primeiro, parei de viver. Pelo menos para mim, não dá para criar coisas a partir do ar, preciso de música, de literatura. Me toquei disso lendo uma passagem que me fez ter a vontade de começar um texto com algo assim:
"a pele estava tão branca, parecia que estava com frio, receava tocar suas costas, se eu a tocasse com toda certeza iria acordar, felizmente não resisti, felizmente também estava errado, ela não acordou e eu pude ver os pêlos finíssmos subirem como tocados por estática, os poros dilatando leve, porém, rapidamente. Beijei sua nuca, e um suspiro quase inaudível me fez ter a certeza de que qualquer que fossem as incertezas que as esperaças de amor trazem, ele (o amor) se concretiza nesses momentos, por mais solitários que sejam."
O segundo acontecimento tem a ver com o primeiro. De certa forma, por mais isolado que eu estivesse, escrevia para eles, as coisas mais simples, as bobagens, as grandes declarações, não tem mais nenhum deles na minha vida, pelo menos não como antes... Se virem, se passarem por aqui de novo, mesmo que por acidente, saibam que a casa ainda é de vocês, prometo deixar mais bem arrumada para quando voltarem.